7.12.07

A minha por enquanto interrompida carreira de compositor

Como eu já disse algumas vezes aqui, eu fui, entre 1994 e 2001, compositor de letras de música para bandas e, principalmente, para uma dupla musical da região de Campinas. É claro para mim, hoje, que esse farto material (mais de 400 letras, sendo que pelo menos metade ainda acho que preste) e o tempo que dispendi nele foram as coisas que deram o delay que hoje sinto na minha carreira literária, que deveria ter começado bem antes (a considero oficialmente iniciada entre 1999 e 2000). Ainda assim, é uma fase que tem coisas das quais gosto de lembrar. Muitos amigos bons dessa fase, também músicos, ainda continuam, como o Kiko Perrone e seu irmão Daniel, que conheci num Enecom em Brasília. O mesmo em que conheci a Gabriela Kimura.

A Gables foi parceira de poucas, mas boas músicas. Tenho o registro de quase tudo. Foi pra ela que eu dei meu violão Eagle (sim, esse foi o destino dele, mas tudo bem, ganhei outro em seqüência, um Yamaha -- que sempre desconfiei ser o mesmo que um dia foi afanado do Dacom, mas isso é outra história) autografado pelo Toquinho e pelo Paulinho da Viola. Achei que ela merecia. Mereceu mesmo. Pouco depois disso ela abandonou Campinas e foi pra Minas, mudar de área, se formar, voltar pra Sampa e, agora, é escritora como eu. Seu livro de estréia, Dona Estultícia (também nome de seu primeiro blog), foi publicado pelo Marcelino Freire, em parceria com a Alaúde. Livro bom. Recomendo.

Eu sinto falta de colocar aqui registros sonoros dessa época. Mas muitas dessas coisas eu não me sinto nada a vontade para disponibilizar. Se a dupla que me roubou os créditos e o uso da letra de Violino (busquem neste blog, não me atreveria a linká-los aqui) desrespeita o meu desejo e toca alguma letra minha por aí ainda, não sei. Nunca mais quis saber de nada deles, ainda que alguns insistam em me contar, involuntariamente. Mas acabei encontrando em meus arquivos uma bela canção, em estado de demo, fruto da minha primeira parceria com a Gabriela Kimura: Redes. Uma canção de que gosto muito e que, espero, vocês também gostem.

Talvez um dia eu volte a compor, se eu voltar a encontrar parcerias. Ou se, vai saber, eu comece a ter aulas de violão. Eis a letra, logo após o player!

boomp3.com


Redes
(Letra: Delfin / Música: Gabriela Kimura, com Rodrigo Sencial)
Voz: Gabriela Kimura / Violão: Rodrigo Sencial

A solidão nunca vai doer mais
Do que te ver sem poder ter
É, a vida não é fácil pra ninguém
Os carros passam enquanto a noite vem

Cruzando faróis
Apagando meu destino
Eu vou me desconstruindo
E tentando apagar a minha dor
Deschorando
Descrevendo
Desistindo
Desabando

O espelho quebrado de um sonho bom
Indica chuvas ao final da tarde
É, ninguém nunca disse que era fácil
Ainda assim, tudo é muito simples

Olhando estrelas
Rasgando a fumaça
Eu vou me recriminando
E tentando
(Tentando de uma vez)
Apagar a minha dor
Recitando
Remoendo
Resistindo
Ressecando