A palhaçada da Net continua
Todo mundo sabe que, após anos e anos de takeovers em empresas regionais (como a VCTV de Campinas, primeira emissora a cabo do país), a Net praticamente se apresenta com o monopólio da programação a cabo nacional. Lembro muito bem quando eu assinei a VC e tudo, absolutamente tudo, corria de forma decente. As quedas de sinal eram raríssimas, a programação tinha um dos níveis mais elevados das tevês a cabo do Brasil e, bem, ela também tinha o seu próprio canal de informação, o Canal 25, com programação 100% regional. Eu podia assistir ao Superstation, ao EuroChannel, HBO e HBO2, CBS Telenotícias, sem sentir falta alguma de canais Globosat. E, mais importante, tendo acesso a todos os canais de sinal aberto disponíveis para a cidade, com qualidade de som e imagem.
Daí, veio a NET. Tirou uma penca de canais. Enfiou os dela. E, como era a única opção a cabo em Campinas (e a DirecTV era proibitiva em termos de preço), acabou ficando. A Net, costumeiramente, tem problemas de sinal (não tem uma vez que eu não vá visitar meus pais que aquela porra não dê problema). Mas, acima de tudo, eles se acham, como muita coisa que acontece quando se trata de televisão e Organizações Globo, donos absolutos da verdade que eles acreditam que o espectador tem que saber. É certo que, em tempos de internet numa democracia cada vez mais digital como o Brasil, a tendência desse poderio, somada à educação do povo (que não é nenhum Homer Simpson, como o Bonner chegou a dizer), vai fazer com que o senso crítico comece a brotar. Como pode acontecer agora, no caso da Record News.
Pra vocês que não saber, a Record News, antiga Rede Mulher, foi extirpada da grade de programação. Em Campinas, pra continuar o exemplo acima, foi substituída pelo History Channel (canal de sigla inusitadamente machoneira que em São Paulo é parte do pacote básico faz tempo). A transmissora se escamoteia em detalhes jurídicos, mas o fato é que ela cerceia o direito de informação do público. Coisa que nenhuma emissora a cabo deveria fazer em relação a uma emissora de sinal aberto.
Mas não é a primeira vez!
Ao lado da Rede Mulher no dial, o canal 22 (Net Campinas, sempre Campinas para o exemplo ser coerente, ok?) é a CNT. Que foi, por um breve período este ano, TV JB. JB, ou Jornal do Brasil, o principal concorrente carioca do conglomerado de informações. A emissora deu errado (é a de vida mais curta na história da televisão nacional), mas o sinal continua sendo escamoteado pelo controle remoto da NET. Sabe como? Pois bem: você pega e começa a zapear. Quando se chega no canal 21 e você zapeia, pula para o 23! Milagre! Mudando de canal direto no decodificador é a mesma coisa. Mas não é que o canal não esteja lá: se você digitar, singelamente, 22 no controle remoto, surpresa! Aparece a CNT! Que, se hoje tem muitos infomerciais na programação (como é o Universal Channel, canal Globosat, em parte de seu tempo), ainda possui programação original sendo veiculada.
Mas, se você tenta reclamar lá com o atendimento, as mocinhas treinadas para não te dar uma assistência e tentar te empurrar a Net Digital (menina dos olhos da transmissora, que eu tive o desprazer de ter no Rio e é uma coisa medonha, com delay maior ainda que o da transmissão a cabo normal, com vantagens reais apenas para a NET) não vão te resolver o problema. Ao contrário: vão dizer que o problema está, pasme, no seu controle remoto! Uma se ofereceu para trocá-lo e recusei na hora: vai saber se não iam me dar algum que recusasse a digitação do número 22? Uma coisa que aprendi sobre as atitudes inconstantes (e pouco amigáveis com o usuário) da NET é que o espectador pode pagar, mas não importa para eles. E, se você atrasar alguns poucos dias, te cortam o sinal. Por mais que eles tenham cortado o sinal mais do que você possa ter visto (em um dia, pude presenciar vergonhosos três cortes de sinal, que parecem até propositais).
E não vão mudar.
Como eu canso de dizer: problemas assim apenas acontecem quando existe o monopólio. È por isto mesmo que, dia desses, o CADE adotou medida cautelar quanto à fusão da distribuidora de publicações Fernando Chinaglia, a mais tradicional do país, à Dinap, pertencente ao Grupo Abril: monopólio só traz distorções e, gradualmente, prejudica o público consumidor. Já que o exemplo é em Campinas, do mesmo jeito que já passou da hora de termos concorência no jornalismo impressao, também já passou da hora de termos concorrência nas tevês a cabo. A Telefonica está tentando, mas ainda incorre no grave erro de querer vender apenas seus produtos casados com vantagem. Se decidisse fazer a venda isolada de seu sinal televisivo com vantagens ao consumidor, tenho certeza que as coisas começariam a mudar.
Sabe porque a NET em São Paulo tem mais canais, mais opções e menos encrenca? Uma só resposta: TVA.
Daí, veio a NET. Tirou uma penca de canais. Enfiou os dela. E, como era a única opção a cabo em Campinas (e a DirecTV era proibitiva em termos de preço), acabou ficando. A Net, costumeiramente, tem problemas de sinal (não tem uma vez que eu não vá visitar meus pais que aquela porra não dê problema). Mas, acima de tudo, eles se acham, como muita coisa que acontece quando se trata de televisão e Organizações Globo, donos absolutos da verdade que eles acreditam que o espectador tem que saber. É certo que, em tempos de internet numa democracia cada vez mais digital como o Brasil, a tendência desse poderio, somada à educação do povo (que não é nenhum Homer Simpson, como o Bonner chegou a dizer), vai fazer com que o senso crítico comece a brotar. Como pode acontecer agora, no caso da Record News.
Pra vocês que não saber, a Record News, antiga Rede Mulher, foi extirpada da grade de programação. Em Campinas, pra continuar o exemplo acima, foi substituída pelo History Channel (canal de sigla inusitadamente machoneira que em São Paulo é parte do pacote básico faz tempo). A transmissora se escamoteia em detalhes jurídicos, mas o fato é que ela cerceia o direito de informação do público. Coisa que nenhuma emissora a cabo deveria fazer em relação a uma emissora de sinal aberto.
Mas não é a primeira vez!
Ao lado da Rede Mulher no dial, o canal 22 (Net Campinas, sempre Campinas para o exemplo ser coerente, ok?) é a CNT. Que foi, por um breve período este ano, TV JB. JB, ou Jornal do Brasil, o principal concorrente carioca do conglomerado de informações. A emissora deu errado (é a de vida mais curta na história da televisão nacional), mas o sinal continua sendo escamoteado pelo controle remoto da NET. Sabe como? Pois bem: você pega e começa a zapear. Quando se chega no canal 21 e você zapeia, pula para o 23! Milagre! Mudando de canal direto no decodificador é a mesma coisa. Mas não é que o canal não esteja lá: se você digitar, singelamente, 22 no controle remoto, surpresa! Aparece a CNT! Que, se hoje tem muitos infomerciais na programação (como é o Universal Channel, canal Globosat, em parte de seu tempo), ainda possui programação original sendo veiculada.
Mas, se você tenta reclamar lá com o atendimento, as mocinhas treinadas para não te dar uma assistência e tentar te empurrar a Net Digital (menina dos olhos da transmissora, que eu tive o desprazer de ter no Rio e é uma coisa medonha, com delay maior ainda que o da transmissão a cabo normal, com vantagens reais apenas para a NET) não vão te resolver o problema. Ao contrário: vão dizer que o problema está, pasme, no seu controle remoto! Uma se ofereceu para trocá-lo e recusei na hora: vai saber se não iam me dar algum que recusasse a digitação do número 22? Uma coisa que aprendi sobre as atitudes inconstantes (e pouco amigáveis com o usuário) da NET é que o espectador pode pagar, mas não importa para eles. E, se você atrasar alguns poucos dias, te cortam o sinal. Por mais que eles tenham cortado o sinal mais do que você possa ter visto (em um dia, pude presenciar vergonhosos três cortes de sinal, que parecem até propositais).
E não vão mudar.
Como eu canso de dizer: problemas assim apenas acontecem quando existe o monopólio. È por isto mesmo que, dia desses, o CADE adotou medida cautelar quanto à fusão da distribuidora de publicações Fernando Chinaglia, a mais tradicional do país, à Dinap, pertencente ao Grupo Abril: monopólio só traz distorções e, gradualmente, prejudica o público consumidor. Já que o exemplo é em Campinas, do mesmo jeito que já passou da hora de termos concorência no jornalismo impressao, também já passou da hora de termos concorrência nas tevês a cabo. A Telefonica está tentando, mas ainda incorre no grave erro de querer vender apenas seus produtos casados com vantagem. Se decidisse fazer a venda isolada de seu sinal televisivo com vantagens ao consumidor, tenho certeza que as coisas começariam a mudar.
Sabe porque a NET em São Paulo tem mais canais, mais opções e menos encrenca? Uma só resposta: TVA.




