Vamos lá, uma nova língua nos espera!
Isso aí, gente: o Português, neste ano, dá uma bela duma virada e entra em sua nova condição ortográfica. Na prática, pouca coisa muda para nós, brasileiros, mas o pouco que muda é importante para que o Acordo Ortográfico de 1990 finalmente entre em vigor. Em teoria, sejamos francos, ele está aí desde 2007, mas ninguém o adotou oficialmente. A imprensa nacional, teoricamente, deveria amanhecer neste dia 1º com jornais em uma língua novinha em folha para todos. Não sei se vai.
Mas o que todo mundo quer saber é o que vai, afinal, acontecer daqui pra frente, correto? Pois vamos lá, que não é um bicho de sete cabeças. O que de mais importante muda (mas isso não é tudo) é isso aqui:
Este DelRey segue os passos evolutivos do Brasil e, oficialmente, começa a utilizar o novo português em sua jornada de posts internéticos. Pode ser difícil de engolir algumas palavras visualmente, no começo, mas é só seguir com fé que todo mundo se acostuma rapidinho. A maioria das regras veio mesmo pra facilitar e, convenhamos, as regras de hifenização nunca foram lá uma moleza. Mas este blog torna-se o primeiro do Brasil a, oficialmente, adotar a nova ortografia oficial do país.
E é uma honra ser de novo pioneiro em alguma coisa. Agora é esperar os jornais de logo mais pra saber se fui bem acompanhado ou se rolará mais engambelação dos meios de comunicação nacionais em relação a isso.
Ah! E seja bem vindo, 2008!
Mas o que todo mundo quer saber é o que vai, afinal, acontecer daqui pra frente, correto? Pois vamos lá, que não é um bicho de sete cabeças. O que de mais importante muda (mas isso não é tudo) é isso aqui:
- Se o seu voo atrasar, não estranhe, porque foi isso mesmo, ele atrasou e não tem mais nenhum acento. Quando subir ao avião, se você for fraquinho do estômago, vai passar a ter enjoo e, se você entendeu bem isso, mesmo não sendo padre eu te abençoo;
- Você vai passar a ter em sua casa um micro-ondas, a China vai passar a ter super-população, poderemos ter relações inter-raciais com alienígenas, se vier um toró abriremos nossos guardachuvas, tudo isso porque as regras dos hifens mudou completamente. Existem muitas exceções e, com o tempo, vamos descobrir que será a adaptação mais difícil de todas;
- Lembram do K, do W e do Y? Sim, esses mesmos que estão em qualquer teclado desde sempre? Pois é, eles não faziam parte da língua portuguesa oficial brasileira fazia décadas. Agora eles voltaram;
- Acabaram com a graça de se comprar um pinguim de geladeira em uma liquidação. Pois, é claro, finalmente o trema não existe mais. Mas devo admitir que palavras como quinquênio perderam toda a graça. Mas se você tiver um nome com trema, como a amiga Tainá Müller, vai continuar tendo pro resto da vida;
- A próxima tramoia foi ideia não sei ainda de quem, mas tomara que ela tenha uma bela diarreia: acentos nos ditongos ei e oi das paroxítonas (atenção a esse detalhe) deixam de existir, sem exceções. Mas olhe as novas pegadinhas nascendo para atazanar uma nova geração de aprendizes: herói, uma oxítona, mantém o acento, enquanto heroico, uma paroxítona, dançou legal;
- Você não pode tirar o acento da palavra pôde e, por obra do destino, em outra você também terá que continuar a pôr. Já o resto dos acentos diferenciais dança, podendo, então, você encontrar pelo em ovo naquele polo petroquímico que para de fabricar peras que pelam a pele. Essa foi tarde;
- Se vocês creem que os ortógrafos que leem tais regras deem pontos sem nó, estão errados: eles não veem nenhum problema em eliminar os acentos do famoso ee do quarteto crê/dê/lê/vê na segunda pessoa do plural. Outro que foi tarde. Mas o ee podia ter virado um simples e, na real. Mas isso seria esperar demais;
- Prontos para voltar aos hifens complicadinhos? Ok, vamos ao primeiro: locuções perdem o hífen de cara, ou seja, aqueles hifens em palavras compostas, com a adição de uma elemento de ligação entre elas, perdem de vez o famoso tracinho. Alguns exemplos: café com leite, fim de semana, flor de lis, pé de vento;
- Mais uma de hífen (aguenta que são muitas): sua ex-mulher e o vice-presidente vão continuar com o sinal gráfico a indicar o lugar de cada um;
- Outra: os prefixos circum e pan têm o hífen se a palavra que vier depois começar com vogal, com h, com m ou com n: pan-americano, pan-histórico, circum-navegado, circum-medido têm hífen, portanto; mas panfrancófono e circunferência, não.
- Essa vai ser boa: super-resistente, inter-ruínas e hiper-rotor tem hífen, pois o segundo elemento após os prefixos super, inter e hiper começam com r. Se não for assim, sem o tracinho, como em hipertensão, intermundial e superbalanceamento;
- E o homem de aço, que já perdeu os hifens na expressão que o define, como fica? Bom, ele fica sendo Super-Homem mesmo, porque se o segundo elemento da palavra composta começar com h, o hífen é obrigatório. O azulão deu sorte nessa;
- Vamos lá: arqui-inimigo, micro-ônibus e mega-aqueduto têm hífen porque a última letra da primeira palavra é uma vogal que, por conincidência, é a mesma que inicia a segunda palavra. Ou seja, megaevento, arquiabobrinha e microusuário não levam o hífen;
- E não para, olha isso: antissocial, pararraios, polissomático e megarrigoroso ficam assim mesmo, pois a nova regra diz que, se o primeiro elemento da palavra composta termina em vogal e o segunto começa com r ou s, além de não rolar o hífen se deve dobrar a consoante (ficando, portanto, rr ou ss, como nos exemplos);
- A regra mais controversa dos tracinhos: quando a composição já existe de modo usual, sem se pensar muito nas palavras que a compõem, o hífen cai. Isso é muito subjetivo, mas, por exemplo, guardachuva deve perder o hífen, paraquedas também, pois é isso que acontece hoje em dia com supermercado. Mas como será que fica o coitado do cachorroquente?
Este DelRey segue os passos evolutivos do Brasil e, oficialmente, começa a utilizar o novo português em sua jornada de posts internéticos. Pode ser difícil de engolir algumas palavras visualmente, no começo, mas é só seguir com fé que todo mundo se acostuma rapidinho. A maioria das regras veio mesmo pra facilitar e, convenhamos, as regras de hifenização nunca foram lá uma moleza. Mas este blog torna-se o primeiro do Brasil a, oficialmente, adotar a nova ortografia oficial do país.
E é uma honra ser de novo pioneiro em alguma coisa. Agora é esperar os jornais de logo mais pra saber se fui bem acompanhado ou se rolará mais engambelação dos meios de comunicação nacionais em relação a isso.
Ah! E seja bem vindo, 2008!




