10.5.08

A mídia (branca, isso deve ser dito) contra as cotas para negros

"Racismo e capitalismo são
duas faces da mesma moeda."

Steve Biko

É mais um assunto do que estou doido pra falar faz um tempo, mas apenas agora, ao som de Bangladesh, de George Harrison, me deu suficiente paciência pra segurar a minha bronca e entrar de cabeça nessa história. Que é curta: os negros lutaram tanto, mas tanto, mas tanto no Brasil para que seus direitos fossem reconhecidos e as distorções históricas causadas (ainda hoje) pelo racismo velado da parcela rica da nossa nação que, para que tal parcela – quase totalmente de tez bege (os que se chamam brancos, mas que são só caucasianos, como eu) – possa expressar o que acha das leis que vêm proteger finalmente os negros do Brasil sem colocar o deles na reta, a solução é se apoiar em iniciativas de entidades negras de representação pífia em relação à população de tez marrom (os que muitas vezes não se chamam negros, graças aos preconceitos que lhes foram impingidos por tanto tempo).

Frase comprida. Difícil de ler. Tentemos um exemplo: o Jornal Nacional de hoje, agorinha, deu um minuto de seu precioso tempo a uma reunião de mais ou menos cem pessoas, reunidas num hotel paulistano próximo à Praça da República, promovida pelo Movimento Negro Socialista para (ao menos é o que a reportagem mostra) posicionar estas pessoas e o movimento no sentido contrário às leis de proteção aos negros, agora empregatícias, que estão sendo votadas no congresso. Situando: o chamado MNS tem menos de dois anos (serão completados semana que vem) e representa quantas pessoas mesmo? Os negros do Brasil, como a reportagem induz a pensar?

Ainda assim, a reportagem não menciona, por exemplo, que a pauta da reunião, segundo o próprio site do MNS, era:
  • Conjuntura Nacional e Internacional
  • Luta contra o racismo e o racialismo
  • Movimento operário e Movimento Negro
  • Plano de lutas e calendário de atividades
Algo a ver com leis no Congresso? Não parece. E é isso que sistemanticamente tem sido feito: uma distorção dos fatos para que os negros continuem sob o jugo branco. Que, hoje, é econômico e social. Não permitir que existam estas proteções é manter as coisas como estão. E para quem isso é bom?

Talvez para os mesmos articuladores do 'factóide do terceiro mandato'. Aliás, um recado ao povo: se o povo tem aprovado tanto o governo Lula, então que vote no candidato do partido dele ou o que ele apoiar. E tenho dito! Não acredite em tudo que dizem pra você. Analise. É o que eu faço.

Em tempo: a citação de Steve Biko, o mártir esquecido da luta contra o apartheid africano, lembrado em canções de gente boa, como o pessoal do Simple Minds, foi retirado do próprio site do MNS. E, para eles: não sou contra o que vocês pensam. Mas saibam que, esta noite, a mensagem geral de vocês, qualquer que seja, foi manipulada. Isso é bom?