11.1.09

Oi. Feliz 2009.

Buenos dias. Então, agora este blog, que iniciou sozinho o tortuoso caminho de escrever pelas novas regras ortográficas da língua portuguesa (e errou algumas vezes por isso, tantas quanto vocês também vão errar), está junto com todos os brasileiros na aventura. Mas, como eu disse na época, a primazia ia me fazer bem. E fez. Só posso desejar as boas vindas a todos que aqui chegaram. Olá.

Este post, no entanto, é um embromatório total. Eu precisava de um post intermediário antes de chegar à valorosa entrada de número 750. Na qual tudo vai mudar. De novo. Enquanto não muda, resolvi revirar meus arquivos e achei uma pérola do tempo em que eu escrevia letras de música e não estava com o mínimo saco de que fosse levado a sério. Apesar de que eu não desprezo nada do que eu escrevo — apenas guardo pra mim o que não é publicável.

Deste modo, pra diversão de cada um, eis a letra de Guerrilha Contrabaixo, que nunca foi musicada por ninguém. Mas vai que aparece um doido. E, se aparecer, avisaí. Porque isso eu gostaria muito de ouvir um dia.

Guerrilha Contrabaixo
Delfin, 26 jan 1999

Batata na solidão

Dribla a lata no varal
Coçando o almanaque
Pra gelar o violão

E eu sei que ela tem razão
E eu sei que ela tem razão

Um palito atrasado
Nunca fez o pelo lambendo
Numa parada de barítono
Com um botão salgado

E eu sei que ele tem razão
E eu sei que ele tem razão

Paraguai!
Paraguai!
Paraguai!
É o momento da geleia!
Panamá!
Panamá!
Panamá!
E tiro a cortina da miséria!

A gripe enlaça o pó
E a finta escapa em monte mor
O patinho digita cereais
E o não nada nunca anymore

E eu sei que eles têm razão
E eu sei que eles têm razão

15.12.08

Mojo Books, dois anos!


Dá pra acreditar nisso?

Novas capas para os hoje clássicos livros inaugurais da Mojo, que agora ganham títulos (e todos os livros anteriores da editora passarão pelo mesmo processo para que recebam seu merecido ISBN). Assim e pela ordem: Danilo Corci ponteia com Vida de mosca, baseado em Black Celebration (Depeche Mode); Ricardo Giassetti organiza tudo em Um dia de ordem, baseado em Technique (New Order); Luiz Cesar Pimentel sintetiza as coisas em No avião, sobre o mar, baseado em #1 Record (Big Star); e eu mesmo relembro dias de sentimentos fortes com Tudo o que eu vejo é nosso amor, baseado em In It for the Money (Supergrass).

Tudo isso é parte da comemoração dos dois anos da Mojo Books, que completará 100 livros lançados no dia 19 de dezembro, com a publicação de É só isso meu baião, baseado em Getz/Gilberto, clássico absoluto dos duetos internacionais, e escrito por Marcelino Freire. Um indício de que os nomes da 'nova literatura oficial' finalmente deixaram de ignorar a Mojo? A conferir — mesmo porque ninguém precisa dos auspícios deste ou daquele a este ponto do campeonato, em que a editora migra finalmente (começou neste domingo) para o Vírgula, onde fará linha de frente, por exemplo, com Djalma Jorge e outros bem cotados de plantão.

Adonde que isso vai parar, sô? Confira nesta sexta, às 20h, no Tapas Club (R. Augusta, 1246), a reunião de tudo isso e muito mais na última festa MOJO Club do ano — o evento se tornou um verdadeiro hype em Sampa e encerra a temporada em grande estilo.

Espero vocês todos lá, com um set musical de arrasar!

13.12.08

Apenas ajudando o controle de natalidade



Vocês têm que admitir que faz sentido.

2.12.08

Aviso importante aos navegantes

Tratem de já ir mudando os seus bookmarks para www.delfin.com.br, ok? Porque este blog, como vocês o conhecem (e com o conteúdo que vocês conhecem) vai morrer. E outro muito mais bacana vai surgir no lugar. Vamos subir ao nível Pro, ok?

Playstation 2, cansaço e a tênue linha entre oportunidade e concretização

Tomei finalmente uma atitude e comprei para mim, na semana passada, algo que me era fundamental e que eu estava adiando desde 2004: meu Playstation 2. A decisão foi tomada pela relação entre a diversão que eu teria, a diversidade de opções que me seria oferecida, o custo dos jogos ('alternativos', como me disse o dono da loja em que comprei o console - hehehehe) e, claro, o custo do aparelho. No começo do ano eu ainda pendia para o Wii, nunca tendo seriamente considerado nem o PS3 e nem o XBox. Mas minha priminha Marcela ganhou o console revolucionário da Nintendo e, então, jogar na casa dela tem sido uma diversão. Então, há duas semanas, o Fer, outro primo meu, comprou o PS2 dele e me animou a comprar um console e mais uma porrada de jogos, quase todos diferentes dos dele. Te juro, foi uma primeira semana de fortes emoções e diversão garantida. E, finalmente, um parceiro pra insônia — mas, mais que isso, um relaxante/extenuante para o merecido descanso do qual eu realmente necessito.

Quem ainda diz (são cada vez menos os babacas) que videogame é coisa de criança realmente começa a ficar ali, ali na linha reacionária que caminha paralela aos imbecis que adoram atacar os quadrinhos (a última vítima é a versão teen da Turma da Mônica, o maior fenômeno editorial do ano — e isso porque tentaram fabricar as vendas da biografia do Edir, rapaz!). Ainda mais que o PS2 é também um aparelho de DVD, o que me mata dois cachorros com uma paulada só.

Fora os jogos: todos os Final Fantasies do PSX, Fifas, PES 2009, God of Wars, Manhunts e, a grande estrela até agora, Kingdom Hearts II.

Em meio a tudo isso, foi um mês de prospecção de oportunidades que, em sua maioria, devem se concretizar apenas em 2009. Olhando pela escotilha, me parecem realmente coisas muito interessantes acontecendo, que podem surpreender muita gente (mas não quem me conhece de verdade, e não apenas algumas famas esquisitas que alguns insistem em querem imputar em mim). Pois cada um tem seu quadrado e eu estou conquistando o meu.

Festas MOJO? De vento em popa. Se o MOJOCast foi o evento musical da editora digital em 2007, o MOJO Club o é em 2008. No fim do ano, termina. Em 2009? Quem sabe? Vai que a gente faça um festival de música, um happening espacial, ou vai que o Ratzinger escreve o primeiro MOJO católico baseado num disco do Marcelo Rossi? Tudo é possível, e cada vez mais.

Mais algumas coisa?

Ah, sim: Fani, Burn, Van, Otávio e Fox. Em breve. Aguardem!

15.11.08

Morreu Claudio Seto

Um dos maiores mestres do quadrinho nacional, que, neste ano, foi justamente reconhecido na premiação do HQ Mix, que homenageou diversos descendentes de japoneses. Conheci o Seto em 1991, na Gibiteca de Curitiba, quando participei da oficina de quadrinhos no Enecom daquele ano. Já admirava ele há alguns anos, desde que tive a chance de entrar em contato com alguns de seus materiais da Grafipar.

Com a morte de Claudio Seto, hoje, fico órfão dos três grandes mestres que eu conheci em meu início de carreira: o próprio Seto, Gedeone Malagola (que faleceu neste ano, em uma das fases em que este blog despencou e não pude noticiar na época) e Waldir Igayara de Souza (o primeiro homem a botar fé no trabalho que eu, Giassetti, Jean, Dennis e Miranda fazíamos).

Nem preciso dizer que este blog, novamente, está de luto.

10.11.08

Era esterco de verdade?

O vídeo sensacional do ano: Tom Wilson. Que ganhou o meu respeito pra vida toda depois de interpretar o melhor vilão de toda a minha adolescência.



Via KibeLoco.

6.11.08

Onde está Obama?


Três chances, ok? Clique na imagem para ampliar, se estiver difícil.

5.11.08

Say it ain't so!

A MTV resolveu disponibilizar seu acervo musical online, já que sua programação de TV (inclusive no Brasil, fora os horários de madrugada e amanhecer) insiste em não ser mais o que sua sigla apregoa(va).

Pra comemorar, o primeiro vídeo de uma série. Um clipe do Weezer de que gosto muito. Say anything, say! (se o embed não funcionar, olé, olé, olá, eu vou reclama-ar!)

Obama nas alturas

Quando maior a altura, maior a queda? Esperamos que não, principalmente se isso se referir à bolsa. Quanto ao dólar, ao petróleo, aí tudo bem. Mas, então, primeiro negro campeão de F1, primeiro negro presidente dos EUA, e é isso! É a cor da moda, meus caros! Tomara apenas que o futuro também não se empolgue e resolva vestir uma roupitcha dessa cor. Não é mesmo?

O Bola, via twitter, mandou essa, e muita gente deve estar pensando nisso: "
Em algum lugar, David Palmer está sorrindo". E não é que deve ser verdade, Dennis?

Aliás, ninguém lembra dele como o dr. Theodore Morris. Pô, como essa série deu errado? Se fosse hoje, faria um sucesso do cão. Now and Again (que chegou a ter uma tradução bizarra, como sempre, no Brasil) é uma das minhas séries canceladas (na primeira temporada) favoritas. E foi uma das primeiras séries a usar a internet como divulgadora pesada do show. Alguém se lembra disso? Não? Bem, corram atrás pra lembrar, então!

4.11.08

No futuro, morrer será coisa do passado

Que o diga Ray Kurzweil, neste perfil que a Trip teve a infelicidade de não publicar. Cortesia de Ronaldo Bressane.

Save the cheers, save the leaders, save the worlds!

And Save Ferris!

Mojo Club nesta quinta. Mojo DJs fazendo sets escoceses et avec french kisses! E muito mais! Não ir é mesmo um pecadão!

O caso Casé (não o meu)

Quando a gente pensa que mais nada pode te dar a certeza de que há algo de ainda mais podre envolvendo as pessoas cariocas que te ferraram, eis que o Forasta, meu penúltimo chefe (na Pixel), amante dos quadrinhos e tremendo boa praça, toma fôlego e republica em seu blog a sua fatídica coluna de um longínquo 1995, num Folhateen que não babava tantos ovos nem é tão asséptico como hoje. Assim como eu, o André teve seus problemas com uma figura luminar da família Casé. Talvez a prova de que a verdade dói, não é verdade? Aqui vem o texto.

Olha só o tipo de gente de quem eu me livrei. Aqueles dois definitivamente devem se merecer.

2.11.08

Plunct Plact Zuum!

Foi uma boa viagem ao Rio, esta primeira em que eu não tinha nenhuma pendência anterior pessoal a resolver. Foi também excelente o fato de eu ter ficado em Laranjeiras, como sempre foi, para eu poder me provar algumas coisas – não que fossem necessárias, mas foram pra mim, ok?

Vi muita gente bacana, revi muitos amigos, conheci algumas pessoas bem legais (notadamente a Alzira, da Travessa do Leblon, que é uma garota sensacional e que cuida muito bem do outro filhote querido que deixei no Rio, que é a seção de quadrinhos da livraria mais bacana daqui) e bebi bem, também. E encarei a pizza da Guanabara, cara e esquisita como sempre, mas nem tudo é perfeito no mundinho das pessoas com esse jeito Leblon de ser, não é?

Lobo, Hélio & família, Mariel, Max, Martha, Humberto, Alice, Matta, como sempre foi tudo muito legal. Obrigado por me fazerem lembrar apenas das coisas boas e, por vezes, até mal aproveitadas desta cidade.

Back home soon!

PS: E que corrida, hein? O Massa ganhou, mas perdeu de um jeito que ninguém merece. Vão comentar essa corrida pra sempre, meus caros, pra sempre!

Sim, hoje eu sou Massa

Adoro Fórmula 1, tá no meu sangue, vocês sabem disso. E hoje, aqui do meu posto avançado no bairro das Laranjeiras, estou aqui torcendo pelo Felipe Massa e, com certeza, pelo Rubinho. Gostaria muito que ele fosse para a Toro Rosso no ano que vem, onde ele poderia não só mostrar serviço como, um dia (não hoje), encerrar sua carreira com dignidade.

Torçamos, pois, pro Alonso detonar o Hamilton, pois é a coisa lógica a se pensar que pode acontecer numa Sampa cinzenta e pronta pra desaguar toda a água da Guarapiranga no meio do circuito mais certeiro do Brasil.

30.10.08

The spectacular story of Mojo Club & The Killer Kittens!

Você já sabe, é toda quinta e nesta, como sempre, eu estarei por lá. Compareça! O esquema de sempre: começa às 6 da tarde (isso é pra quem quer aproveitar mesmo, travar aquele contato amigo com os Mojo DJs antes do bicho pegar fogo, estreitar os laços com o pessoal do Tapas, enfim!) e vai até a hora que você quiser! Uma happy hour duca! Se você chegar até as 21h, peça o seu mojito (o drink oficial da Mojo, claro!), porque, até esse horário, você bebe dois e paga um — mas atenção, se pedir o segundo 21h01, dançou, ok? Agora, se você quiser se estender até depois das 22h, tem que pagar o ingresso para o show que rola no piso superior, ok? Nesta quinta, serão dez pilas. Avisado esteja, cowboy! E não diga que eu não avisei, cowgirl?

Quem toca? Nas picapes, Mojo DJs (Danilo, Gia7 e Delfin) e o convidado da noite, DJ
Trepanado. A banda SUITE faz o som no elevado tapístico.

O flyer é da MojoKitten Haydée Kubinhos, artista oficial do Mojo Club:


Gostou? Quer mais? Então saiba que ainda vão rolar uns filminhos com as Smiling Naked Girls! Sim, garotas nuas e sorridentes! Afinal, não se esqueça, o Tapas é um oásis, mas ainda fica na Rua Augusta, 1200 (na real é 1246, mas eu falo 1200 porque é mais fácil de guardar, não é? — do ladinho do Iboritama). Ainda assim você precisa de um mapa? Então tome um mapa! Se você for uma pessoa descolada, ainda pode ser selecionada para figurar na Ilha de Mojos! Duvida? Veja como foi a festa passada, clicando aqui!

Perfecto?

Então aproveito para desfazer um mal entendido que se espalha sem intenção nenhuma de minha parte. Afinal, eu já disse antes que eu tenho alguns papéis na e-ditora, mas eu não sou sócio nem criador da Mojo. Fui o diretor de arte da Mojo, criador das duas versões do logo da editora, do padrão visual dos livros, e hoje sou, neste momento, editor dos Mojo Comix. E me considero, claro, anfitrião das festas do Tapas, junto com Ricardo e Danilo, meus amigos (o Gia há quase vinte anos) e os reais donos da Mojo. Fiquei pensando o porque desse boato ter se disseminado tanto, visto que eu nunca diria uma barbaridade dessas pra ninguém. Não precisava disso, nem preciso: afinal, eu tenho outras coisas que eu faço e das quais eu posso dizer que "ah, eu sou isso" ou "oh, eu sou aquilo", mesmo dentro da Mojo, como acabei de dizer.

Cheguei a algumas conclusões lógicas e que podem mesmo levar um simples observador a certa confusão. Por exemplo, em relação ao MojoCast, que foi ao ar em 2007: eu comandava o show, sempre discutindo com Ricardo e Danilo sobre as atrações musicais que fariam parte dele antecipadamente; porém, o fato da minha voz ir ao ar pode ter levado algumas pessoas a pensar algo diferente da realidade – mesmo eu declarando várias vezes no show que eu era só um MC naquele lugar.

Outra é o fato de eu ter assinado mais de setenta capas da Mojo, nesses quase 24 meses de editora. Imagino que meu nome esteja, sim, plenamente identificado com a primeira editora 100% digital do Brasil, e até aí é bom que seja assim, pois eu estou no time desde o começo.

Mas o fato de estar no time quer dizer apenas que eu apostei no projeto desde sempre, que eu estava lá quando fui requisitado e que eu colaborei como pude para a Mojo chegar onde chegou hoje. Não só eu, mas muitos outros fizeram e fazem a sua parte nisso. Porque a Mojo é legal, sabem? Mas daí a extrapolar que eu sou proprietário? Um pouquinho demais pra mim. Se um dia isso acontecesse, seria público. Não acham? Meus créditos estão em cada livro Mojo. Só procurar pra ver :)

Isto colocado, espero mesmo que ninguém mais me venha com papos. Porque pra mim a situação é muito clara. E, espero de uma vez por todas, esteja clara pra todos agora. Pois se tem uma coisa que eu quero é seguir com a Mojo pra onde for. Mas sem tretas pra mim. E é por isso que uma declaração pública se faz muito necessária. Tem um motivo pra eu estar fazendo isso e quem sabe o motivo também sabe que isso é o melhor a ser feito. Porque editoras, empresas, essas coisas podem até passar, mas as amizades devem ficar e superar isso, ok?

Todos no Tapas daqui a pouco, então!

29.10.08

Um pouco sobre o novo site que virá

Bem, pois é. A nova casa já está sendo arrumada e esperamos que esteja tudo pronto até o mês que vem. Algumas coisas estão definidas, podendo ser aprimoradas, mas o que é certo é que o novo DelRey v4 vai finalmente ativar as seções há muito prometidas dentro do site: portifólio gráfico, portifólio de textos, contos, downloads (sim, downloads, e isso vai ser legal, esperem pra ver) e, claro, a aditivação do blog. O domínio www.delfin.com.br vai ser a principal via de acesso — esqueçam, então, a entrada via blogspot, ok?

A home vai ter pequenas seções atualizáveis, Top 5, gadgets e muita coisa otimizável. Mas o mais legal é que, com o tempo, eu vou disponibilizar todo o arquivo de matérias de quadrinhos da época do Correio Popular de Campinas. Além de um monte de críticas de HQ, muitas delas incentivando o leitor jovem (que era um dos objetivos cruciais, e que sei que foi atngido), também algumas entrevistas, com gente como Neil Gaiman, Lorenzo Mattotti e Ivo Milazzo. Não percam!

Ainda teria mais novidades pra contar, mas, por enquanto, acho que essas bastam. Ainda estou bolando um jeito de gerar um RSS conjunto de todas as atualizações (acho que é possível, pelo novo sistema), o que aditivaria ainda mais o motor deste verdadeiro e legítimo veículo de comunicação.

Esquentando os motores, então!

28.10.08

Back. Muito tempo depois.

Pois é, camaradas, de volta. Com alguns anúncios.

O primeiro é um que vocês já leram por aqui: as desculpas por ter sido involuntariamente tirado do ar (de novo). Desta vez foi por um período muito longo e isso não fez bem à audiência, eu sei. Mas, por conta disso, este DelRey está seguindo, em pouco tempo, por uma outra estrada. Ao mesmo tempo, estará tunando sua carroceria e, assim, um novo site vai surgir até o mês que vem. Aguardem, portanto.

O segundo é que os posts na nova ortografia serão, agora que as regras foram ratificadas e sancionadas, revisados definitivamente. Este blog, o primeiro do Brasil a se propor a escrever pelas novas regras ortográficas, quer fazer tudo direitinho. Apesar de o Houaiss e o Aurélio já estarem se confundindo com a regra de hifens, como eu previ em janeiro. Até 2012, as editoras precisam se adequar. Será que conseguirão? Sim, conseguirão – à força, visto que a lei obrigará que todos os títulos estejam de acordo com essa regra.

O terceiro ponto é a minha volta ao mundo do rádio internético. Pois, enquanto este blog ficou fora do ar, eu me aventurei pelos ares da Blip.FM e, agora, comando diversos shows aleatórios de rádio por lá, mas com destaque para um fixo: o Ninho do Coruja, em sua encarnação mais recente. Pra ouvir minhas seleções, faça como os meus quase dois mil ouvintes e entre em http://blip.fm/Delfin – & be happy!

Um quarto ponto é que as coisas continuam caminhando na Aleph. Após uma série de percalços difíceis, mas suplantados, em novembro saem os primeiros livros da editora já sob a égide da nova ortografia: a trilogia Fundação, de Isaac Asimov, composta pelos livros Fundação, Fundação e Império e Segunda Fundação. A tradução ficou a cargo de Fábio Fernandes e Marcelo Barbão, com preparação de texto de Carlos Orsi. Um trabalho muito superior ao da malfadada e (por que não dizer?) pirata edição da Hemus, que não devia mais nem ser reimpressa e nem encontrada por aí, mas o é.

Quinto ponto: Especial Planeta Terra da Mojo Books. Livros, Singles e, claro, um novo livro meu. Desta vez, baseado numa canção da mais jovem revelação da música brasileira. Vocês sabem quem é. Então, é esperar uns dias pra ler, ok?

Quinto e meio: Mojo Club, a nova festa da Mojo. Acontece todas as quintas-feiras, no Tapas Club (Augusta, quase no 1200, ao lado do Iboritama). Lá, eu boto som, dividindo as picapes com Danilo, Giassetti e os DJs convidados. Já passaram por lá Marcelo Costa, Clarah Averbuck, Mário Bortolotto, Cris Lisbôa, Andrea del Fuego e muchos más. E ainda muitos passarão. Chegando até as 21h e pedindo o drink oficial da Mojo (claro que é o mojito!), você toma dois e paga um. Vale a pena conferir esse lugar, verdadeiro oásis no meio da Augusta.

Fora tudo isso, estou em dívida com algumas pessoas e pretendo me redimir em breve. São poucas e não foi por mal. Falta de tempo, apenas. E a maioria envolve decupagem de materiais – e a Flip.

E, para quem sente minha falta no Rio (sim, ainda tenho amigos legais e fiéis por lá), uma surpresa pra semana. Não percam!

Mas, enfim, fora tudo isso, só tenho a dizer que é bom estar de volta.

GO UTIL!

2.8.08

O motivo da ausência quase total nos últimos meses

Se tivesse só um, era mais fácil. Mas tem mais. O primeiro se chama Flip. O segundo se chama Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Porque, veja, ao contrário de muita gente que conheço do mercado editorial, que diz que consegue ler originais, preparar livros, estar em contato com toda a cadeia de produção, ler livros por prazer, avaliar publicações estrangeiras, produzir textos para sites, jornais e revistas e, com tudo isso, ainda consegue tempo para escrever em seu blog pessoal (o que eu duvido), eu assumo que eu não consigo. E meu dia tem 18 horas úteis, todos os dias, no mínimo.

Por causa disso vocês não ficaram sabendo ainda da entrevista exclusiva de uma hora que eu fiz com Neil Gaiman na Flip, nem dos novos livros que a Aleph está preparando (a saber: A Morte™ tem cura, Aprendendo Inteligência, Teorias do Turismo, Deus não está morto, Mona Lisa Overdrive, O vampiro antes de Drácula e A física dos anjos), nem do HQ Mix que a Pixel ganhou como melhor editora de quadrinhos do ano passado (e é claro que, por ter trabalhado lá em 2007, um pouco da vitória é obviamente minha também), nem dos planos malignos para o futuro que se consolidaram em julho.

Vocês saberão disso a tempo. Mas, pra fazer tudo com calma, esperem passar a Bienal. Porque eu posso não conseguir fazer tudo aquilo que eu listei no meu primeiro parágrafo, mas, se eu abrir mão de alguma coisa, eu até consigo. E se o DelRey tiver que ficar estacionado algumas semanas para o bem maior, ele vai ficar paradinho enquanto eu me movo por outros meios.

Portanto, paciência. Pois, sim, eu ainda estou vivo.

22.7.08

Pablo Morales

Um dia eu descobri que ia pra Itália. Daí eu precisava de um passaporte. Daí eu precisava de uma foto para ele. Daí nenhum fotógrafo acertava a porra da foto. Daí eu arrumei um suporte pre numeração pequeno igualzinho ao usado pra datar e coloquei a data do dia. Daí eu peguei uma camisa dos anos 70 do meu pai que me servia muito bem. Daí eu já estava com uma cara de acabado e não existia photoshop fácil. Daí alguém que tava passando tirou uma foto 10x15 minha, com um fundo neutro por trás. Daí o cara da revelação disse que a máquina conseguia clarear a foto. Daí eu fiz doze cópias. Daí eu estiletei, uma por uma, no tamanho 5x7. Daí eu fiz o passaporte. Daí dei umas pros parentes (as melhores) e guardei poucas (as piores). Daí eu fiz, muito tempo depois, uma oficina com o Nelson de Oliveira. Daí na oficina estava a Vanessa Barbara. Daí o Nelson passou um exercício envolvendo a foto de outrem. Daí tive que dar uma foto minha pra Vanessa. Daí ela contou, enfim, a história de Pablo Morales.

:: PABLO MORALES ::
inspirado em uma 3x4 do adorável e "cara-de-poucos-amigos" Delfin Fusco Morales

Em cinco de junho de 1999, talvez porque estivesse aborrecido, Pablo Morales decidiu sair de casa e fazer algo muito mau. Alguma coisa bem perversa, como cuspir no Papa (mais informações acima) ou esmurrar um porquinho filhote. Colocou a camisa de ir à missa, penteou o cabelo e saiu às ruas de La Paz.

Fazia sol lá fora. O malfeitor boliviano pisou no canteiro de begônias da vizinha e de lá ficou observando a rua: crianças com fitas nos cabelos brincavam com grandes bolas plásticas, velhinhos dançavam salsa com suas respectivas senhoras (e com as senhoras dos outros, porque nessa idade a gente pode tudo), donzelas de boa índole bordavam em ponto arraiolo, cãezinhos saltitavam e ouvia-se no horizonte o cantar dolente de uma rolinha. Pablo Morales estava ficando enjoado. Pablo Morales não escapara do presídio para fazer figuração em uma pintura do Norman Rockwell.

Ajeitou a gola e caminhou, com cara de poucos amigos, rumo a uma das senhoras que descansavam da salsa. Dona Esmeralda tinha oitenta anos e uma sandália de salto. Descalça no meio fio, ela apreciava a doce e ingênua brincadeira das crianças, sem saber que em sua direção vinha um desgovernado elemento de camisa cor-de-laranja. Pablo Morales se aproximou de Dona Esmeralda, debruçou-se junto ao ouvido da boa senhora e — finalmente — assoprou.

Bastaram dois segundos para que a velhinha começasse a gritar, e a chorar, e a bater em Pablo Morales com suas tamancas. Ninguém foi acudi-la. Fez-se um silêncio que espantou a rolinha. Dona Esmeralda entrou em desespero e enlouqueceu, enquanto Pablo Morales se dirigia a uma das crianças. Mais uma vez, soprou vigorosamente no ouvido da vítima. Fez o mesmo com o resto da turma, que logo abandonou as bolas de plástico e saiu correndo. O horror dominou muitas delas. Diz-se que algumas rasgaram as roupas; outras foram pintar.

Um a um, Pablo Morales foi distribuindo sopros nos ouvidos da vizinhança. Algumas das vítimas apenas fechavam os olhos. Outras, até riam. Um silêncio estranho tomou aquele domingo e os outros que vieram, em que Pablo Morales soprou seus demônios pela capital da Bolívia, libertando-os em pequenos bocados nos ouvidos das pessoas satisfeitas demais. Em quatorze de junho, Pablo Morales finalmente conseguiu soprar tudo o que precisava e se sentiu razoavelmente bem. Pela primeira vez na vida, respirou aliviado. Ele só queria um sax.

21.7.08

E ela conseguiu. Agora ela tem o que queria.

Afinal, o pai do patriarca morreu.

Em tempo: também morreu Dercy e, junto com Bob Hope, agora finalmente se esvai a esperança.

23.6.08

Uma nova Livros do Mal?

Pois é, eu já acho bom começar este post de modo meio polêmico, pra não ter problemas depois. Se vão rotular desse modo o trabalho da Não Editora, do Rio Grande do Sul, eu não sei. Gostaria muito que não, mas me parece inevitável. Se eu penso isso? Não, é claro que não. Mas me parece óbvio que a editora do cachimbo (símbolo da editora, belamente apropriado do Magritte) é a herdeira natural de um trabalho iniciado pela editora de Daniel Galera, Daniel Pellizzari e Guilherme Pilla – o que não é pouco.

É claro que eu fui conferir.

Já pude ler, na íntegra, o romance de estréia de Antônio Xerxenesky, autor que, alguns anos atrás, já tinha sido recomendado a mim pelo Pedro Mandagará. No ano passado, pude ler o Mojo Book que ele escreveu, recontando o disco Come on die young, do Mogwai (do qual fiz, inclusive, a capa) e é mesmo muito bom. Também em 2007, li o seu bom conto O desvio, que integra a primeira coletânea Ficção de Polpa, que saiu pela fugaz editora Fósforo. Então, não foi surpresa quando me deparei com a orelha de Daniel Galera anunciando um faroeste com zumbis no romance de estréia de Xerxenesky, Areia nos Dentes. E é um livro bem bacana, rápido, mesclando ação no melhor estilo bang-bang à italiana e metalinguagem (quase, às vezes, uma metametalinguagem). Apesar de alguns problemas de revisão, coisa mais que natural numa estrutura pequena de publicação, o livro é uma estréia em narrativa longa superior à maior parte do que se vê por aí. Não é um livro perfeito, mas nem acredito que tenha sido concebido para isso. É uma idéia legal, que poderia dar um filme interessante (se não cair na mão de nenhum medalhão, que vai tentar impor a marca pessoal e tirar a espontaneidade que o livro tem de modo tão marcante). Eu assistiria.

Ainda estou lendo o segundo Ficção de Polpa e comecei o trocadilhista (e só por isso já tem o meu voto) A virgem que não conhecia Picasso. Mas, para uma editora que nasceu da dissidência de um trabalho anterior (quase uma característica sine qua non das pequenas editoras deste início de milênio), eles vêm mandando muito bem. O que os aproxima da LdM: a parceria entre os autores/editores, o formato, o cuidado gráfico, a idéia de rompimento e, muito provavelmente, a cultuada oficina do Assis Brasil – pela qual a maioria dos novos escritores gaúchos passou.

É também o caso da autora do novo lançamento da Não, Carol Bensimon. Agraciada com a polêmica Bolsa Funarte no ano passado, Carol é mais forte e melhor que esses disse-me-disses, pra sorte de toda a lisura do processo. Sua estréia foi com o compacto Sono, publicado de modo mais que independente há alguns anos. Apesar de já apresentar uma narrativa bem desenvolvida, ela melhorou bastante. O que me deixa bastante entusiasmado para ler Pó de parede, que já está chegando pelo correio. Carol é minha amiga? E daí? Acho bom que bons amigos que mandam bem consigam levar pra frente o que acreditam da vida. Isso, afinal, é o que move a todos, não é?

Mas tem um senão – sempre tem. Segundo o site da Não: "Uma das palavras mais fortes da língua portuguesa, o 'Não' também é uma das mais pronunciadas e ouvidas no mercado editorial hoje em dia. É para esse 'Não' que a Não Editora diz 'Não': para tudo o que é convencional, comum, repetido e preestabelecido." Bem, chega a ser curioso que as capas da Não sejam tão comerciais, tão profissionais, tão padrão. Não é um erro, é claro que é um acerto, mas é um contrasenso com o discurso da editora – que, para sair do convencionalismo independente, acabou caindo em outro, o do mercadão. Não existe um quê de experimental nas capas, há muito formalismo e pouca ruptura. Basta ver as lindas capas que eu destaquei neste post. Mas a sensação de estranhamento, por exemplo, que eu tive com as ilustrações de Guilherme Pilla, pela Livros do Mal, ou nas capas do Joca Reiners Terron, pela Ciência do Acidente, não existem aqui. É a sensação clara de que a Não é a versão 2.0 do movimento de editoras independentes nacionais deste milênio: pronta para brigar pelo mercado com distribuição nacional (graças ao quase-apadrinhamento da filial de Porto Alegre da Livraria Cultura), pronta para aparecer, pronta para ser consumida e, o que é fundamental, lida.

A Não é a melhor e mais preparada editora independente nacional de que tenho notícia hoje em dia. E isso, meus caros, não é pouco. Só posso dizer que vocês ainda vão ouvir falar muito de Guilherme Smee, Rafael Spinelli, Samir Machado de Machado, Antonio Xerxenesky, Rodrigo Rosp e de quem mais se unir a eles. E tenho dito.

3.6.08

Os Mutantes, de novo

Bem, tudo começou, no Brasil, em 1961, na tradicional editora GRD, baluarte nacional da ficção científica. Foi quando o livro Os Mutantes, de John Wyndham, foi lançado no Brasil. E provocou reações suficientes para influenciar a antiga banda de rock O'Seis a adotar o mesmo nome do livro, levando Arnaldo, Sérgio e Rita aos píncaros da glória e à liderança da mudança do paradigma acústico até então predominante na velha guarda da música brasileira, ajudando a moldar a MPB (à época) moderna. Mas a segunda encarnação d'Os Mutantes no Brasil já vinha seguida da terceira, aqueles mutantes que todos nós conhecemos dos quadrinhos, dos desenhos animados e dos filmes, liderados pelo Professor Xavier, que revolucionaram uma indústria na chamada Era de Bronze dos quadrinhos. Mas, à parte de lideranças, é a quarta encarnação que me interessa aqui. Com inspirações em todos eles, na inovação, nos poderes e no mistério, Os Mutantes, novela da Record que estreou há poucos minutos, é a prova da coragem a que me referi no ano passado, quando sua célula mater, Caminhos do Coração, apontou os rumos corajosos do fantástico sem negar nunca suas influências.

O sucesso de CdC abriu caminho para que os elementos tradicionais de uma novela fossem postos, um a um, de lado, dando espaço para a aventura típica de seriados estrangeiros. Sem o conservadorismo da Globo a segurar as rédeas, sem a visão estreita de sempre querer enfiar humor em tudo para deixar feliz o público 'Homer' (ao qual William Bonner se referiu, numa clara sintonia com a emissora em que trabalha), Os Mutantes nasce com um universo todo criado em mais de um ano de uma bem construída trama. Agora, é um universo ficcional pronto para funcionar. Um spin-off que promete ser muito bem sucedido, coisa rara na tevê nacional (ainda mais em novelas: lembro das fases da novela Os Imigrantes e das novelas sequenciais Cavalo Amarelo e Dulcinéia vai à Guerra, todas pela Bandeirantes nos anos 1980).

Acredito que o peito da Record em brigar pelo horário nobre com essa novela é também um indício de que, a partir de agora, a brincadeira acabou. Se os mutantes estarão em guerra na tela, fora dela a guerra pode ser ainda mais sangrenta. Mas sem os erros de Pantanal, produto único sem nenhuma base por trás: agora é difícil derrubar a estrutura do RecNov da Record. E os executivos da Platinada, aqueles que impediram pela segunda vez o beijo homossexual masculino no fim de uma novela, devem saber que estão morrendo. Eles só querem seu mundinho perfeito preservado até que se aposentem. E, assim, ajudam a enterrar, bem aos pouquinhos, o poder de uma televisão que, um dia, já teve 100% das tevês ligadas no mesmo horário em que a atual disputa pela audiência acontece.

Como editor de ficção científica, me entusiasmo com a popularização junto ao público. Como entusiasta do gênero, acho que é a chance de se fazer isso ir cada vez mais para a frente, para consolidar essa vertente literária no Brasil. Se o fandom radical abrir a sua cabeça, não se fechar em si mesmo e perceber a imensa oportunidade à sua frente, ele deixará de existir do modo que é hoje para um bem maior: se ampliar cada vez mais e mais. Afinal, ser radical nesse quesito não adianta e muita gente já percebeu.

É fundamental que se dê uma chance à novela. O público médio já deu aval à trama, por que não o fandom? É a porta que todos sempre quiseram que fosse aberta para que séries e filmes de ficção científica fossem produzidos no país. A quem critica, que continue criticando (é fundamental pra que tudo melhore), mas aproveitem. Senão, os próprios fãs correm o risco de enterrar a popularização final de um gênero literário que, reconhecidamente, é o que mais contribuiu para o avanço humano nos últimos 150 anos.

E tenho dito.

27.5.08

No futuro, existe a Matrix. Audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve.

Nossa pequena sessão de vídeos termina com esta pequena peça nerd/geek, que junta os dois universos de ficção científica com mais fãs no mundo. Agora, juntar William Shatner e Keanu Reeves em uma pessoa só? Ah, os reis da expressividade agora são um só. Gosh!

Mas, no fim, não é que ficou interessante? Veja aí!

26.5.08

Pork and beans

Há coisas na vida que, eu acho, vão ser legais pra sempre, como os jogos da Nintendo, trepar com mulheres bonitas e os videoclipes do Weezer. Eles lançaram semana passada mais uma preciosidade: Pork and beans, que foi feito pra ser visto primeiro no YouTube. E, acredite, o motivo é forte. Afinal, várias das estrelas involuntárias do site, ridicularizadas em cadeia nacional nos Estados Unidos, estão lá pra dar o recado, reabilitar suas reputações e reclamar seus postos de ícones de um momento único da internet mundial.

Com vocês, Weezer: